A variação brusca dos últimos meses nos preços dos combustíveis chama a atenção de qualquer cidadão comum do Brasil e movimenta discussões nos mais diversos churrascos em família nos finais de semana (Aproveito a deixa para dar um conselho: Ame muito sua família durante a copa, porque com certeza em outubro vocês irão brigar), essas discussões a cerca de preços, inflação e tributos têm muito sentido, afinal, todos nós sabemos que o órgão que mais dói no corpo humano é o bolso.

Os noticiários a cada momento apontam uma causa diferente para a volatilidade e alta dos preços, isso decorre pelo simples motivo de que se colocarmos 3 economistas em uma sala e voltarmos dois minutos depois, eles apontaram cinco problemas distintos – Muitas vezes inexistentes – e doze soluções dispares entre si. Dito isso, busquei algumas relações básicas excluindo inicialmente o peso dos tributos (Aprox. 40%) sobre os combustíveis (IPCA – Inflação, Câmbio e Variação do volume de carros em circulação), o resultado depois de vários testes para uma amostra de cinco anos foi:

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Os números nos dizem que as variáveis escolhidas para o período, tem o poder explicativo de 90%, mas o que é mais relevante é o câmbio, ou seja, por mais que as crianças e usuários do Facebook vivam dizendo que as eleições nos EUA não tem nada que ver com as terras tupiniquins, há muito em jogo, afinal cada alteração unitária no preço da moeda estrangeira reflete em R$0,40 na bomba, isso porque a matéria-prima primordial (Petróleo) é negociada na moeda internacional, cada alteração da taxa de juros para cima de Donald Trump tem impacto direto em nosso comercio – O dólar valoriza, fica mais caro – e tudo que dele depende também.

Bom, o Banco Central poderia intervir através de um complexo mecanismo de Swaps – Compra e veda de dólares futuros – mas não é aconselhável para controle da inflação nem tão usado pela atual gestão, então podemos analisar outras possíveis medidas do governo, como o represamento de preços feito pelo governo Dilma de 2011 a 2014 aproximadamente:

Jornal Nexo

Essa solução tem um grau de razoabilidade a curto prazo, mas quando saímos para uma análise a longo prazo, o processo de descongelamento principalmente quando feito de maneira brusca (Ministro Levy) tem um impacto inflacionário enorme, um dos motivos para termos chegado aos 10% junto as secas de 2015, quem não lembra dos memes sobre o preço dos tomates?

Bom, uma outra solução levantada nos finais de semana é: “A Petrobras é estatal, rouba muita, se quisesse era só abaixar o preço da gasolina”. Na verdade, a Petrobras tem grande parte de suas operações negociadas em bolsa, logo não temos 100% da empresa estatal, temos compromissos com acionistas, que visam o lucro como qualquer pessoa em um mercado competitivo, políticas desse gênero desvalorizariam o preço da companhia e acarretariam em diminuição do volume operacional de caixa de forma brusca.

Se você teve paciência e leu até aqui, não verá nada de novo: Precisamos de uma reforma tributária, impostos incidentes sobre o consumo fazem com que ricos e pobres paguem a mesma coisa – Se você coloca R$100,00 em gasolina no seu gol 2005 paga o mesmo que o doutor que coloca R$100,00 no Jaguar, o mesmo diz respeito a televisões, celulares e etc. só não se aplica a jatinhos particulares e jet-skis que curiosamente tem uma tabela mais baixa que produtos populares. O Brasil não taxa grandes fortunas, heranças, rendimentos financeiros e etc. O sistema tributário age como um Robin Hood as avessas, contrariando tudo o que um economista chamado Milton Friedman nos dizia até o começo desse século, além do mecanismo de acumulação sem mérito que se tornou nosso sistema, nos mostrados através de ferramentas sofisticadas por Piketty em suas obras recentes.

Nosso modelo tributário desenhado essencialmente durante a ditadura militar é retrogrado, inibindo o consumo, novos investimentos e gerando fortes impactos nos cofres públicos em variações cambiais muitas vezes imprevisíveis e totalmente condicionadas pelo cenário externo.


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