- publicidade -  

Um procedimento investigatório criminal do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a prefeita afastada Ana Paula Polotto Ribas de Andrade (PSB) aponta cerca de 27 indícios de crimes praticados durante sua gestão de 2015 a 2017.

Entre os possíveis crimes oferecidos ao MP estão: associação criminosa, usurpação de função pública e corrupção passiva. O processo de 101 páginas aponta outros investigados entre eles o marido e ex-prefeito Antonio Carlos de Oliveira Ribas de Andrade, ex-diretor de Saúde Tales Garcia dos Santos, ex-diretor da Fazenda Reinaldo dos Santos, ex-chefe de Gabinete José Angelotti, os filhos da prefeita o ex-diretor de Governo e Gestão Kauê Polotto Ribas de Andrade e Kaio Polotto Ribas de Andrade que havia assumido o cargo de Superintendente na Prefeitura de Cajamar.

As interceptações realizadas pela Polícia Federal são oriundas da “Operação SANARE” As escutas telefônicas com autorização da Justiça, demonstram que o marido de Paula Ribas o ex-prefeito Toninho Ribas agia como se fosse o Chefe do Executivo, determinando o recapeamento de ruas, que eram selecionadas de acordo com seus exclusivos interesses pessoais e políticos, o provimento de cargos e demissões de pessoas de acordo com seu interesse meramente pessoal, gerando prestígio político e vantagens pessoais. Segundo o relatório da PF Toninho Ribas intermediou na contratação de empresa para continuar a gerenciar o Hospital Municipal, obtendo vantagem na reforma de imóvel pertencente a sua sogra onde foi instalado na época o Ambulatório Infantil.

Outra denuncia do MP é que de acordo com a investigação o ex-prefeito teria influenciado diretamente na escolha do Presidente da Câmara Municipal. “Antonio Carlos influiu diretamente na escolha de quem seria no novo Presidente da Câmara de Vereadores, garantindo, dessa forma, que continuasse praticando ingerência e controlando politicamente o Legislativo local”.

Escutas Telefônicas

Segundo o relatório elaborado pela PF, no dia 28 de dezembro de 2016, o ex-prefeito realizou uma ligação para um dos vereadores identificado como Cidão, ocasião em que disse que o parlamentar deveria fazer o que ele mandava, e não o que prometera aos outros demonstrando influência direta na eleição da Presidência da Câmara. De acordo com o relatório investigativo, Eurico Missé (DEM), teria sido o vereador escolhido do ex-prefeito, para ocupar a Presidência da casa de Leis.

Em um trecho da conversa interceptado pela Polícia Federal o vereador Cidão diz ao ex-prefeito: “É, então eu, eu vi um movimento aqui de vereador na sala dele… e ai eu cheguei e eu vi os vereadores aqui, eu vi o Mané, a Izelda, o Carlinhos da Padaria, tudo no gabinete dele”.

De acordo com a Justiça a prefeita afastada teria omitido e autorizado que o seu esposo Toninho Ribas desse ordens a funcionários públicos sobre destinação de verba pública.

A Polícia Federal interceptou algumas ligações do ex-prefeito com servidores públicos. Em um dos relatórios da PF, no dia 24 de janeiro de 2017 o ex-prefeito determinou a destinação de R$ 100 mil, para pagamentos de funcionários do Hospital Municipal, dizendo: “Faz o seguinte pra mim. Vê se você arruma uns 100 mil reais pros caras, antes que pare aquela bosta”.

Em outra interceptação da Polícia Federal, o ex-prefeito decidiu a cerca da contratação e realocação de funcionários. Segundo o relatório da PF, Toninho Ribas foi procurado por pessoa de prenome Marcelo, servidor público que tinha o cargo de chefe de Divisão, ganhando salário de aproximadamente oito mil reais, oportunidade em que o ex-prefeito garantiu que interferiria na recolocação do servidor. A interceptação ocorreu no dia 24 de janeiro de 2017, por volta das 13h57. Mais tarde o ex-prefeito ligou para Marcelo e disse que havia conseguido um novo cargo, Marcelo ainda perguntou ‘é já para esse mês?’, e ANTONIO lhe respondeu ‘É lógico que é porr*. Ou você quer para o final do mandato da Paula?’

Os relatórios de transcrições realizados pelo serviço de Inteligência da Polícia Federal revelam inúmeras decisões tomadas exclusivamente pelo ex-prefeito Toninho Ribas. Em outra interceptação o ex-prefeito determinou a adoção de medidas para que o evento denominado “Feirão de Carros” fosse cancelado.

As decisões do ex-prefeito foram determinantes até para deliberação acerca de providências a serem tomadas quanto à invasão de áreas públicas por populares. A ordem do ex-prefeito foi para que removesse todas as famílias do local. “Tira tudo”, disse Toninho Ribas.

Toninho Ribas também decidia sobre reuniões e agendamentos da Prefeitura de Cajamar com deputado estaduais e federais. “pegue sua agenda para mim aí, porque tem dois deputados querendo fazer uma visita para você essa semana (…) vê aí na quinta-feira (…). Quinta-feira por volta de umas dez horas da manhã”. E, pouco tempo depois, determina “marca aí, segunda-feira 11 horas.”

O ex-prefeito era quem escolhia os bairros que deveriam ter suas ruas recapeadas e quais valores deveriam ser utilizados para tanto, e ao determinar a expedição de ofícios, inclusive seu conteúdo, como consta na ligação de Toninho com o diretor de obras da gestão, Junior Missé: “Viu, faz o seguinte, coloca mais ou menos ai uns 600, 700 mil reais, pra um panorama 01, panorama 02”, e Junior responde: “Tá.”

Para o MP, Ana Paula Polotto Ribas de Andrade teria em tese praticado o crime de usurpação de função pública, ao concorrer de qualquer forma para que o seu marido o ex-prefeito Antonio Carlos de Oliveira Ribas de Andrade tomasse decisões a frente do Poder Executivo.


COMENTE ABAIXO

Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.