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Aproveitar tardes na piscina, viagens a praias e degustação de alimentos que saem do cardápio habitual podem parecer atrativos no período de férias, mas escondem o risco do desenvolvimento de alergias. Especialista aponta que, mesmo quem não costuma apresentar sintomas alérgicos, pode apresentar irritações na pele após se expor a produtos químicos ou mesmo consumir alguma comida que contenha um ingrediente com potencial para causar reações no corpo.

Para o coordenador do Departamento de Imunodeficiência da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Antonio Condino Neto, o Verão é a estação perfeita para o aparecimento das reações alérgicas no organismo. Ele explica que é comum ver, inclusive, pacientes que nunca tiveram reações alérgicas procurarem um médico dermatologista com sintomas de vermelhidão, descamação e coceira na pele durante o Verão. “A exposição exagerada à radiação, faz com que as pessoas sintam dor e muita irritação na pele. Para amenizá-la, a maioria das pessoas acaba recorrendo aos medicamentos químicos, como o hidratante e o protetor solar, sem antes olhar a sua composição. A utilização desses produtos comerciais, em excesso, pode causar o aparecimento de reações alérgicas, inclusive, em pessoas que são apenas predispostas a terem alergias”, explica o especialista.

Ao contrário do que a maioria imagina, a alergia é uma condição que pode ser adquirida ao longo da vida. Mesmo quem sempre teve o hábito de usar determinado produto ou comer certo alimento e nunca teve o problema pode, de repente, desenvolver a doença, já que ela está ligada à intolerância do organismo a uma determinada substância. “Ninguém nasce alérgico ou imune à alergia. O que acontece é que você pode nascer com uma predisposição genética a desenvolver alergias. Então, a manifestação clínica da doença de um paciente, na verdade, nada mais é do que uma consequência da sua exposição aos fatores que determinam a alergia versus a sua predisposição genética, que é hereditária e que não tem tempo para se manifestar. Uma pessoa pode desenvolver algum tipo de alergia com 5, 10 ou até 40 anos de idade, se for o caso. Às vezes, ela só perceberá que tem a alergia a um determinado produto depois que tiver tido centenas de contatos com a substância”, explica o coordenador.

O especialista informa também que os cuidados precisam ser redobrados nessa época do ano, principalmente para quem decide viajar e acha que não tem nenhum tipo de alergia. “Se uma pessoa é predisposta a desenvolver algum tipo de alergia a determinada substância, o ideal é ela não abusar do produto químico ou alimentício que possui algum componente que não a faz bem. O problema é que muitas pessoas não sabem que são propensas”, comenta Neto.

Entre as principais dicas, ele afirma que é importante não exagerar em produtos alimentícios de procedência duvidosa. “Quando vamos para a praia, por exemplo, costumamos comer e beber bastante por conta do calor da estação. O ideal é não exagerar, pois não sabemos do que realmente são feitos. Às vezes a pessoa passa vários dias saboreando um tempero ou uma pimenta mais forte e quando vai ver ela era predisposta ou, então, alérgica a determinada substância contida naquela comida ou bebida em especial”, comenta.

Além do cuidado com alimentos, outra dica importante é para que os viajantes pesquisem um pouco sobre o local em que vão se hospedar. “É realmente limpo? Tem muita poeira? Para quem tem alguma alergia, ou predisposição alérgica respiratória, isso é um questionamento necessário. Além disso, por mais que esteja realmente quente, o recomendável é não ligar o ventilador ou deixar as janelas abertas do quarto durante a noite. O ventilador vai espalhar toda a poeira e a janela aberta permite a entrada de ácaros e, também de mosquitos transmissores das arboviroses”, explica o especialista.

SAIBA MAIS

Os sintomas de alergia ao calor podem ser:

  • Pequenas bolinhas vermelhas nas regiões expostas ao à luz solar ou nas regiões que mais transpiram.
  • Coceira nestas áreas mais afetadas.
  • Formação de crostas nos locais das bolinhas devido ao ato de coçar a pele.
  • As regiões mais afetadas são o pescoço e as axilas.
  • Essas alterações podem surgir em pessoas de qualquer idade, mas são mais frequentes nos bebês, crianças, idosos e pessoas acamadas.

Exposição excessiva à luz do Sol e suor causam brotoejas

Especialmente no Verão, a exposição excessiva ao sol pode provocar uma reação comumente confundida com alergia: as brotoejas. Elas obstruem a passagem do suor e isso causa coceira, vermelhidão e até bolhas na pele, que lembram uma reação alérgica.

Além do cuidado é importante uma avaliação médica, possivelmente acompanhada por um teste para chegar ao diagnóstico se, de fato, se trata de uma alergia. Os exames de sangue, por exemplo, são capazes de indicar sensibilidade a determinados alimentos. A partir dessas informações, dietas restritivas podem ser adotadas. Além dos exames de sangue realizados em laboratórios, podem ser realizados também exames de pele capazes de diagnosticar alergias.


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