Rio Piracicaba é um dos mananciais da região que preocupam após o acúmulo de chuvas: trecho em Americana está com vazão quatro vezes superior à média, em situação de alerta

Do Portal Diário Cajamarenseredacao@diariocajamarense.net

A vazão média de água que chegou nos primeiros três dias de junho aos reservatórios do Sistema Cantareira é a maior dos últimos 86 anos, segundo dados de monitoramento da Sala de Situação da Agência Nacional de Águas (ANA). Desde 1930, a vazão afluente média registrada em junho foi de 30,78 metros cúbicos por segundo (m3/s), e estão computados nessa conta a água da chuva e dos rios que chegam nas barragens. Nesses primeiros três dias, a média está em 39,5m3/s — 23,8% acima.

O Sistema Cantareira operou nesta sexta com 37,6% da capacidade do volume útil, 0,3 ponto percentual acima de quinta-feira. Considerando o volume morto, a água que fica abaixo das comportas, a operação ficou em 66,6%. Em três dias choveu nos reservatórios 39,1 milímetros, o equivalente a 67,2% do esperado para o mês.

Segundo a Climatempo, a chuva de junho de 2016 vai surpreender. A previsão é de que ainda ocorram pancadas de chuva frequentes durante toda a primeira quinzena de junho. A queda da temperatura esperada para a próxima semana, que será fria, vai dificultar a evaporação e ajudar a elevar um pouco mais o nível de água.

O Cantareira recebeu 96,6 mm de chuva nos 31 dias de maio, pela medição da Sabesp. Foi o maio mais chuvoso desde 2005, quando choveu 142,7mm. O total de chuva de maio de 2016 superou em 23% a média histórica, que é de 78,2mm.

A chuva que chega nesse período de seca ajuda na retenção de água nos reservatórios, aumentando a reserva para passar o período de estiagem sem voltar ao volume morto. A Sabesp, operadora do sistema, estima que a água acumulada será suficiente para enfrentar uma estiagem como a de 2014 sem entrar na reserva técnica das barragens. Se isso ocorrer, chegará ao final do ano com 3% de volume útil.

Se o cenário de 2015 se repetir, informa o estudo da Sabesp, o Cantareira chegará ao final do ano operando com 7,8% do volume útil, ainda assim abaixo da faixa de segurança, estipulada em 20% pelos gestores do sistema. Atualmente, com os rios cheios, o sistema está liberando apenas 0,4m3/s para as Bacias PCJ — o limite estabelecido pelos gestores do Cantareira para o envio de água à região de Campinas é de 3,5m3/s e para São Paulo, 23m3/s.

Rios
A chuva que ocorreu na madrugada desta sexta-feira na região elevou o nível dos rios e colocou cinco cidades em estado de atenção e duas em alerta de enchentes na área das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Segundo a Sala de Situação dos Comitês PCJ, Campinas e Americana ficaram em alerta — o Rio Piracicaba, em Americana, atingiu vazão de 194m3/s ao meio-dia, quatro vezes mais que a média histórica do mês e o Rio Capivari, em Campinas, chegou a 20m3/s e elevou o nível do rio para 3,2 metros.

Permaneceram em estado de atenção trechos dos rios Piracicaba em Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba, o Corumbataí em Rio Claro, o Capivari em Monte Mor e o Cachoeira em Piracaia. No distrito de Ártemis, em Piracicaba, a vazão do rio chegou a 387m3/s, o dobro da média histórica do mês.

Entre 5h e 6h de ontem, choveu 24,8mm em Campinas, na região do Rio Capivari e 53mm no Rio Piracicaba, em Americana, entre 19h de quarta-feira e 7h desta sexta.

O Rio Atibaia registrou vazão de 36m3/s próximo da área em que a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) capta a água para abastecer 95% de Campinas. Essa vazão é nove vezes maior que o necessário ao fornecimento à população, já que a Sanasa tem autorização para captar até 4,1m3/s.

Radar meteorológico reforça ações da Defesa
Campinas contará com um reforço nas ações de redução de risco de desastres. Entre as medidas que serão adotadas estão um decreto de reorganização da Defesa Civil, a criação de um Comitê Municipal de Gestão de Risco, além de parcerias com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) e CPFL Paulista — que preveem a instalação de um radar meteorológico e de um canal direto da CPFL para atendimento prioritário aos chamados da Defesa e polícias.

As medidas foram anunciadas ontem, quando o prefeito Jonas Donizette (PSB) apresentou o decreto assinado recentemente para o cumprimento do protocolo de Sendai que, entre outros pontos, prevê a redução da mortalidade mundial por desastres. Segundo o prefeito, desde que adotou o programa Cidades Resilientes, da ONU, a cidade conseguiu reduzir de 78 para 30 o número de áreas de risco na cidade.

O reforço das ações de prevenção de risco contará com o programa SOS-Chuva, um projeto desenvolvido em parceria entre a USP, Inpe e Unicamp. Ele prevê a instalação de um radar meteorológico no campus da Unicamp até julho. “É um sistema totalmente inovador porque é voltado para previsão a curto prazo e integra vários tipos de dados”, afirmou Ana Ávila, diretora do Cepagri. Segundo ela, o radar consegue quantificar a chuva e eventos intensos a um raio de 60km. Também conta com detectores de granizo. O equipamento será instalado no ponto mais alto da universidade, sobre uma torre que terá entre oito e dez metros.

Ana Ávila também chamou a atenção para a interação do sistema com a população, pois serão instaladas nas escolas estações meteorológicas com o objetivo de estimular a percepção do risco dos eventos intensos. Além disso, está sendo desenvolvido um aplicativo para que as pessoas recebam as informações atualizadas no celular. Outra ação prevê a disponibilização do Game Defesa Civil – A Aventura. Trata-se de uma ferramenta desenvolvida pela Defesa Civil Estadual, em parceria com a Educação, voltada para jovens do 6º ao 9º ano.


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