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Ele faz milagres em quem perdeu a vida horas antes. Os batimentos cardíacos não voltam, mas Leandro Aparecido Ortiz Schunck, de 41 anos, evita que a última impressão seja a que fique sobre o ente falecido. Ele trabalha como tanatopraxista. É responsável por deixar o falecido com a melhor aparência possível para a última despedida entre os vivos.

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Leandro Schunck, técnico em tanatopraxia em momento de preparação de óbito – Foto: Ricardo Rodrigues/eCAJAMAR

“Para você ter uma ideia, os tanatopraxistas dizem que, quando o rosto estiver mais de 30% desfacelado, é impossível fazer a recuperação. Eu já fiz com mais de 60%”, conta. Vítimas de acidentes são os casos mais complicados. Leandro chega a reconstruir praticamente por completo um rosto para trazer o mínimo de conforto possível a quem o vê pela última vez.

O trabalho parece, mas não tem nada de macabro, e Leandro fez do assunto delicado uma carreira para toda a vida. O gaúcho trabalha no ramo há 9 anos e mora em São Paulo há 37. O procedimento é quase cirúrgico. Arruma cabelo, corrige a coloração da pele, faz maquiagem, lixa as unhas, disfarça machucados e até reconstrói rostos. Faz todo o possível para que o caixão não seja lacrado. “Uma pessoa que falece de infarto do miocárdio tende a escurecer a pele. O tratamento recupera a fisionomia, traz a pele do falecido para o natural e faz a formalização para conservar o corpo”, exemplifica.

O corpo é levado diretamente do hospital para a Ideal Tanato, em Cajamar-Centro. “Damos um banho, desinfetamos a parte externa e, depois, começamos a trabalhar na parte interna”, conta. A preparação visa a higienizar o corpo, evitando contaminações ou qualquer tipo de vazamento de líquidos e gases durante o velório, já que o processo busca retardar a decomposição. O processo demora de 1h30 a 2 horas, em caso de morte natural. Para finalizar uma reconstrução facial depois de um acidente, por exemplo, podem ser levadas até 6 horas.

Primeiro, o sangue é substituído por um fluido de conservação, usando uma bomba de injeção. Saem, em média, 8 litros de sangue, e entram 8 litros de líquido conservante. Em seguida, retiram-se outras substâncias, como fezes e gases, com uma bomba de aspiração. Para finalizar, é feito o fechamento da boca e a maquiagem.

“A maquiagem é só para dar igualdade na cor da pele, usando pó e batom. Só fazemos maquiagem diferente se a família pedir”, explica Lendro..

A “vocação” para lidar com os mortos veio após completar os 30 anos de idade, por influência dos primos, empresários e dono de uma funerária. “Eu fui curioso. Tomei gosto pra coisa e acabei ficando até hoje. Com meses, eu já fazia autópsia, exumava corpo, já acompanhava todo o setor”, relembra.

O profissional precisa fazer curso básico de tanatopraxia, de maquiagem e de reconstrução, para aprimorar o que mais parece ser um dom. De acordo com ele, para uma pessoa começar a atuar no ramo precisa, apenas, estar ligada a uma empresa funerária. Sem ser necessário, portanto, um curso de enfermagem ou medicina, embora mexa com instrumentos relacionados a hospital.

“Não dá para você ensinar como deve fazer os tratamentos, porque cada caso é um caso. Então é ensinado o básico e, em cima daquele básico, a pessoa vai desenvolvendo. Um acidente é completamente diferente de outro. Na hora, você tem que pensar e refletir como vai fazer a reconstrução facial”, explica Leandro.

Por mês, a clínica recebe cerca de 35 corpos; em média é feito de um a dois procedimentos por dia. O piso salarial é de apenas R$ 1.350 . A equipe é composta por duas pessoas, mas no momento do tratamento apenas o tanatopraxista fica na sala. E haja preparo psicológico. “O preparo é você se acostumar. A gente está trabalhando com ser humano. Embora esteja morto, ele é um ser humano como a gente, viveu como a gente. Aprendi a sempre respeitar o falecido, pois sei que aquele ser humano é pai, mãe ou filho de alguém”, ensina.

Valores

Os valores do processo variam de acordo com o tempo disponibilizado para que o corpo seja velado, e não com o grau de dificuldade do procedimento. O procedimento para um corpo que terá de ir para fora do estado, necessitando de 72 horas de conservação, custa a partir de R$ 1,7 mil. Um que precise ser levado para outro país custa a partir de R$ 1,9 mil.

Eduardo, que vive da tanatopraxia, apesar de acostumado com cenas tristes, não gosta de ver acidentes nas ruas da cidade. Sofre e tenta reverter a situação. “É totalmente diferente o Leandro dentro de uma sala, estando com um corpo, do Leandro encarando um acidente. Pareço outra pessoa. O meu trabalho não me tornou uma pessoa insensível”. Tal sensibilidade o faz ter como maior retorno não o salário recebido, mas a gratidão de quem reconhece o trabalho. As famílias agradecem. A comparação do estado em que alguns corpos chegam com o resultado de quando são entregues para os entes queridos é de se admirar. “O meu principal objetivo é deixar o caixão no velório com a tampa aberta. Fazer com que esse corpo seja velado com dignidade”.

Sem medo da morte o técnico em tanatopraxia encara a sua profissão de forma natural e se dedica ao trabalho seja de dia ou de madrugada. E que haja mãos à altura das de Leandro para trazer aos entes queridos o mesmo conforto e paz que ele leva, diariamente, a tantas outras famílias.

Serviço

Ideal Tanato – Centro de Tanatopraxia Cajamar, fica localizada na Rua: Afonso Caramigo, nº 125 – Centro de Cajamar A Ideal Tanato é uma empresa especializada em Embalsamento, Necromaquiagem e Tanatopraxia.

Para maiores informações: (11) 4446-5400


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