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Sem comemorações reportagem relembra do episódio do “Buraco de Cajamar” ocorrido há 28 anos.

Reportagem: Ricardo Rodrigues – Rede Cajamar de Comunicação

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Cajamar, na região norte da Grande São Paulo, comemora nesta quinta-feira, dia 18 de fevereiro, 57 anos de emancipação política. Apesar de fazer divisa com a capital paulista e ter problemas de cidade grande, Cajamar ainda conserva características de cidade do interior apesar do desmatamento incontrolável o município mantém áreas verdes e ar puro.

Com 70 mil habitantes, a cidade se desenvolveu muito nos últimos anos com a chegada de novas empresas e comércios. Até pouco tempo atrás, a maioria da população tinha que sair da cidade para buscar emprego e sustento, mas hoje, muitos cajamarenses encontram oportunidade perto de casa.

Com o crescimento da população, a cidade também viu seus problemas aumentarem. A demanda por vagas em creche cresceu, os postos de saúde ficaram mais lotados, mais moradias em áreas de risco foram construídas e a violência cresceu.

Mais um corte

Além de não realizar o Carnaval neste ano para conter gastos, a Prefeitura de Cajamar informou que também não irá promover a festa de aniversário da cidade.

Segundo a prefeitura, o objetivo é reduzir gastos e garantir investimentos em áreas prioritárias como saúde, educação e obras públicas.

“O Buraco de Cajamar”

No dia 12 de agosto de 1986 o município ganharia destaque nacional após o “Buraco de Cajamar” (foto), como ficou conhecida a cratera de 50 metros de diâmetro e 13 metros de profundidade que engoliu oito casas na cidade. Eram 9 horas da manhã quando um forte estrondo, semelhante explosão de uma bomba, foi ouvido pela vizinhança da rua Barão de Rio Branco, atual Valdomiro dos Santos. Segundo relatos de moradores na época, abriu-se, de repente, um buraco no meio da horta do quintal de uma das casas atingidas. O buraco cresceu e começou a engolir as residências ao redor, e até mesmo um sobrado de dois andares, recém construído, foi tragado pelo solo.

Após 28 anos do acidente ninguém foi responsabilizado judicialmente pelo surgimento da cratera. Na época cerca de 2,4 mil pessoas ficaram desabrigadas no primeiro momento, sendo levadas para colégios, casas de parentes e igrejas.

Anos mais tarde a prefeitura construiu pequenas casas em uma área pública municipal. Moradores entrevistados pela reportagem do Portal eCAJAMAR, reclamam que, na época do buraco, o então prefeito Aristides Ribas de Andrade prometeu construir “uma nova Cajamar”, mas que nada do que foi prometido até hoje saiu do papel. Houve assembléias, projetos, fotos de uma nova cidade e até uma pedra fundamental foi lançada. “O prefeito brincava nas reuniões que daria para todo mundo o que tinha no exato momento que houve o buraco, se tivesse um galinheiro, iria fazer o galinheiro na casa”, diz uma das moradoras.

Cavernas no subsolo logo após o surgimento da cratera, uma área de 30 mil m² foi isolada, com temor de que o buraco se expandisse. O buraco, no entanto, não aumentou. Após alguns meses, as pessoas retiradas da área ao redor da cratera começaram a voltar para as suas casas. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) detectou na época que o afundamento ocorreu porque havia cavernas no subsolo da cidade, além de uma camada de rocha calcária.

Influenciaram também na formação do buraco a retirada de água do subsolo pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) e pela fábrica de tubaína “Cajaína”, além de detonações realizadas por uma pedreira próxima ao local, informa o laudo que o geólogo Fernando Prandini fez na época.

O laudo de 1986, apontava que “o buraco não acabará e que continuava evoluindo com vários vazios no solo”.

Para pôr fim na cratera, na época o prefeito Antonio Carlos Ribas mandou tapá-la em 1990 com 5,6 mil metros cúbicos de terra, o equivalente a 1.200 caminhões. Atualmente, o lugar abriga a Praça Alfredo Sória, mais conhecida entre a população como a “praça do buraco”.

 

 

 


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