A família da jovem Petra Heleno, de 18 anos, morta em novembro do ano passado após se submeter a uma tomografia computadorizada com uso de contraste iodado, está recolhendo assinaturas para tentar criar uma lei que obrigue clínicas e hospitais a realizar o teste que identifica a alergia ao iodo.

Petra Heleno, de 18 anos, morta em novembro do ano passado após se submeter a uma tomografia computadorizada
Petra Heleno, de 18 anos, morta em novembro do ano passado após se submeter a uma tomografia computadorizada

O pai de Petra, Paulo Roberto Gomes Heleno, quer uma lei que evite novas mortes pelo uso do contraste em pessoas alérgicas ao iodo. O recolhimento de assinaturas trouxe de volta o debate sobre a necessidade das unidades de saúde em criar uma padronização para o uso dos contrastes. O objetivo é informar com clareza aos pacientes dos riscos do iodo e realizar testes para avaliar se o paciente é alérgico ao medicamento. O Conselho Federal de Medicina afirma que cabe ao Ministério da Saúde obrigar os hospitais a adotar esses procedimentos, por meio de um novo protocolo de atendimento.

As assinaturas estão sendo colhidas no site Avaaz e também em documento impresso. Segundo Heleno, já foram colhidas 1,5 mil assinaturas e o objetivo é chegar a 5 mil. A proposta do pai de Petra é que todos os hospitais sejam obrigados a disponibilizar um questionário aos pacientes que serão submetidos ao contraste iodado. No documento cedido pelas unidades de saúde deverá conter com clareza informações sobre os riscos do iodo, para que o paciente decida se quer prosseguir com o exame. O hospital também deverá perguntar ao paciente se ele tem conhecimento de alergia ao contraste iodado. Se o paciente não souber se é alérgico, caberá ao hospital realizar um teste profilático ou submetê-lo a avaliação com alergista.

tomografia

“Não quero que os hospitais parem de usar o contraste, mas alertar as pessoas sobre os perigos. Tenho o depoimento de várias pessoas que tiveram problemas. Não é uma lei complexa, tem dois itens. O primeiro é um questionário para a pessoa saber dos riscos. E outra é quando chegar no hospital e falar que não sabe se é alérgico, no mínimo fazer um exame profilático”, explicou Heleno.

O pai da jovem morta no ano passado diz que cansou de tentar a implantação da medida pelo Ministério da Saúde ou do Conselho Federal de Medicina. Por isso, batalha por uma lei que obrigará os hospitais a adotar essas medidas.

Ele afirma que já conta com o deputado federal Luiz Lauro Filho (PSB-SP), que já se propôs a criar um projeto de lei com essas ações. “O Ministério da Saúde se isentou e disse que o Conselho Federal é o responsável. O conselho não deu retorno. O que a gente está brigando é que tendo uma lei que obrigue, alguém vai ter que cumprir. Em vez de ficar implorando é mais fácil criar uma lei”, acrescentou Heleno.

Procurado pela reportagem, o Conselho Federal de Medicina afirmou que não tem autonomia para obrigar hospitais e clínicas a realizar o teste que identifica a alergia ao iodo, e que isso seria competência do Ministério da Saúde. Este último, por sua vez, disse que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem um protocolo para a utilização do iodo. A Anvisa afirmou que existe um protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Porém, o documento sugere somente que o hospital pergunte ao paciente se ele é alérgico a qualquer medicamento, mas não obriga a realização do teste para constatar a alergia.

As reações alérgicas ao Contraste Iodado

Coceira, irritação, tontura e vômito. Essas são algumas das reações que podem ocorrer em quem faz diagnósticos por imagem. Isso porque muitas tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e raios X utilizam contrastes com elementos químicos como o iodo e o gadolínio, que ocasionalmente provocam efeitos colaterais nos pacientes. Em casos raros, podem até levar à morte.

O uso de contrastes é recomendado por radiologistas para tornar exames por imagem mais sensíveis. Em tomografias e raios X, o produto pode evidenciar problemas em regiões vascularizadas. O mesmo ocorre em ressonâncias – recomendadas principalmente para diagnósticos no crânio, coluna, abdome e articulações. Os contrastes são líquidos e incolores. Um pouco antes do exame, eles podem ser aplicados na veia ou, no caso dos iodados, administrado por via oral ou retal.

Alergia

Os contrastes usados em tomografias são à base de iodo. De acordo com o médico radiologista Gustavo Antonik, do Hospital Erasto Gaertner, o mais comum é que os pacientes com alergia a esse elemento apresentem algum tipo de reação. “Eu realizo cerca de 40 tomografias por dia. Em média, apenas duas pessoas por semana apresentam reações, e leves, como urticárias e vômitos”, relata.

“Aplicamos um questionário antes dos exames para garantir que a pessoa não é alérgica a iodo. No caso de ela ser, recomendamos exames sem contrastes. O problema é que, nesses casos, o exame pode perder a eficiência”, explica Antonik. Mesmo assim, existe o risco de pacientes não alérgicos serem sensíveis ao contraste. “Outra coisa que pedimos a quem vai fazer uma tomografia é que faça jejum. Isso reduz o risco de vômito, que pode levar o paciente a aspirar secreções.”

Pessoas que precisam tomar o contraste para fazer uma ressonância magnética correm o raro risco de desenvolver fibrose nefrogênica sistêmica – enrigecimento dos tecidos –, que pode até matar. Isso se deve à presença do gadolínio, metal tóxico ao organismo que precisa ser eliminado do corpo. “Se o paciente não apresenta uma boa função renal, o produto acaba circulando pelo corpo. O que pode fazer mal”, diz o radiologista da Clínica de Diagnóstico por Imagem do Paraná (Cedip), Marcus Vinicius Gusmão Cabral. Apesar da possibilidade de morte, os casos registrados de fibrose por causa do gadolínio são raros. “É preciso ter cuidado com os contrastes em ressonância, mas em geral eles são mais seguros do que os contrastes iodados”, afirma Cabral.

No mercado existem diferentes tipos de contrastes com esse elemento que apresentam menos riscos de efeitos colaterais. “Um contraste recentemente lançado pela [empresa farmacêutica] Bayer para diagnósticos por imagem em doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, reduz a possibilidade de desenvolvimento da fibrose sistêmica”, comenta o neurorradiologista da Santa Casa de São Paulo Antônio José da Rocha.

Confiança no médico

Apesar dos riscos de reações adversas, mesmo as mais leves, o paciente precisa confiar na recomendação de seu médico. Quem afirma é o diretor do laboratório Quanta Diagnóstico Nuclear, João Vítola, especializado em exames com radiotraçadores (material radioativo com uma função semelhante à do contraste).

“Todo exame médico é muito bem recomendado. Antes de encaminhar um paciente para uma tomografia ou a uma ressonância, o médico sempre pesa a relação risco-benefício”, afirma Vítola. De acordo com ele, os diagnósticos com uso de contraste podem ajudar a descobrir se o paciente tem alguma doença grave, como um câncer.

A dona de casa Anivalda Apa­­recida Stella, 36 anos, perdeu as contas do número de tomografias que fez nos últimos anos. Só em 2011 foram duas. Diagnosticada com câncer no retroperitônio (uma cavidade na região do abdome), ela afirma que nunca passou mal por causa dos contrastes. “Às vezes sinto calor e vontade de ir ao banheiro, mas nunca tive problemas maiores”, conta.

fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2016/01/campinas_e_rmc/407633-campanha-pede-lei-para-teste-alergico-ao-iodo.html
http://www.gazetadopovo.com.br/saude/aplicacao-de-contraste-traz-risco-de-reacao-alergica-44wucqj17ilbxpqajmdwyt5ji

 

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